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A história do Rock Brasil nos anos 80

24 Nov, 2016

No final dos anos 70, o vigor que e a soul music trouxera ao mercado havia perdido força para a música disco. O que era pensamento e atitude transformara-se em pura dança. Mais uma vez, produtores e gravadoras saíram em busca de alternativas importando alguns modelos de fora, mas sem necessidade. Mal sabiam que a música da próxima década estava sendo criada nas garagens do país recém-entrado na abertura política. Para entender política e musicalmente este período, o Musicograma inicia com os Engenheiros do Hawaii a série Rock Brasil.

O movimento BRock, expressão criada pelo jornalista e crítico Arthur Dapieve, reuniu nos anos 80, uma legião de intelectuais, muitos mais pensadores que músicos, mas que viam o palco como o espaço urgente e natural para reunir multidões e expor ideias. A banda gaúcha Engenheiros do Hawaii é filha legítima daqueles anos em que amigos se reuniam para criar bandas com nomes estranhos e compor baladas com três acordes. Eram apelidos atrás dos quais se escondiam para não revelar a verdadeira identidade ou pretensão de viver de música. Gang 90 e as Absurdetes, Ultraje a Rigor, João Penca e seus Miquinhos Amestrados, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, RPM, Titãs do Iê-Iê são alguns grupos da época.

O público, claro, adorava rir e dançar com as brincadeiras do João Penca; pensar e discutir, com as letras do Paralamas e do Legião; ou viver entre o sim e o não, como sugere os Engenheiros do Hawaii na canção "Infinita Highway". As gravadoras, por sua vez, absorviam quem passasse pelo teste do rádio, no caso, a Fluminense FM, "A maldita". Ela era a avalista do BRock com um público enorme e cativo que comprava discos, participava de promoções e garantia o sucesso dos shows.

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